Propaganda presidencial estreia em 28 de agosto com divisão de 12 minutos e 30 segundos; saiba como acompanhar sem cair em desinformação.
A campanha eleitoral brasileira entra nesta sexta-feira (28) em uma nova fase decisiva. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou nesta quinta-feira (27) a resolução que define o plano de mídia da propaganda eleitoral gratuita para a Presidência da República, estabelecendo quanto tempo cada partido ou coligação terá no rádio e na televisão e qual será a ordem de exibição no primeiro dia. A propaganda em rede começa oficialmente em 28 de agosto e segue até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno. (Justiça Eleitoral) Para o eleitor, a mudança é mais importante do que simplesmente voltar a ver candidatos na televisão. A partir de agora, propostas, críticas, imagens e promessas ocuparão espaço regular na programação, enquanto as redes sociais continuarão funcionando paralelamente. Entender como o horário eleitoral foi distribuído ajuda o cidadão a acompanhar a disputa com mais atenção e a separar propaganda, informação jornalística e conteúdo enganoso.
Quanto tempo cada candidato terá no horário eleitoral de 2026?
Os programas presidenciais em bloco terão duração total de 12 minutos e 30 segundos. A maior parcela ficará com a coligação Brasil Pronto pra Mais, formada por PDT, PSB, FE Brasil, PSOL e Rede, que terá 5 minutos e 31 segundos. O Partido Liberal (PL) terá 4 minutos e 20 segundos, enquanto o PSD contará com 2 minutos e 2 segundos e o Avante terá 35 segundos. A distribuição foi definida pelo TSE de acordo com os critérios previstos na legislação eleitoral e formalizada pela Resolução nº 23.776/2026, aprovada por unanimidade pelo tribunal. (Justiça Eleitoral)
A estreia também terá uma ordem específica, definida por sorteio: Avante, PSD, PL e, por último, a coligação Brasil Pronto pra Mais. A partir do segundo dia, haverá rodízio, fazendo com que a agremiação que aparecer por último em um dia seja a primeira no seguinte. Além dos blocos, a propaganda terá inserções curtas distribuídas ao longo da programação das emissoras, o que aumenta a frequência com que o eleitor poderá encontrar mensagens eleitorais fora do horário principal. O TSE determinou ainda regras técnicas para o envio das mídias e centralizou a geração do sinal por meio do chamado Pool de Mídia. (Justiça Eleitoral)
Por que o horário eleitoral pode pesar nas escolhas do eleitor?
A volta da propaganda em rádio e televisão cria uma vantagem importante para candidatos com maior tempo disponível, mas não determina sozinha quem terá maior chance de conquistar votos. O tempo maior permite apresentar mais propostas, explicar posicionamentos, explorar diferentes temas e produzir peças específicas para públicos distintos. Também abre espaço para estratégias de comunicação mais sofisticadas, incluindo anúncios voltados para economia, saúde, segurança, emprego e outros assuntos que têm forte peso na decisão do eleitor. Ao mesmo tempo, um programa mais longo pode ser menos eficiente se a mensagem não conseguir chamar atenção ou apresentar informações compreensíveis.
É justamente por isso que o cidadão precisa acompanhar o conteúdo de maneira crítica. A propaganda eleitoral é produzida pelos próprios candidatos e tem finalidade persuasiva, enquanto reportagens jornalísticas seguem regras diferentes e devem buscar informação e contextualização. O eleitor pode usar os programas como ponto de partida para conhecer propostas, mas deve conferir números, promessas e declarações antes de tratá-las como fatos comprovados. O próprio TSE mantém informações sobre as eleições e mecanismos para comunicação de irregularidades na propaganda, incluindo o aplicativo Pardal para denúncias. (Justiça Eleitoral) Em um cenário de forte circulação de conteúdos recortados nas redes sociais, assistir ao material completo pode ser uma forma de evitar conclusões baseadas em pequenos trechos.
Como acompanhar a propaganda sem cair em fake news?
O início do horário eleitoral também aumenta a circulação de vídeos, prints e áudios que podem ser retirados de contexto, editados ou misturados com informações falsas. O eleitor deve desconfiar especialmente de conteúdos que mostram apenas poucos segundos de uma fala e apresentam uma interpretação definitiva sobre o que determinado candidato teria dito. Em caso de dúvida, uma estratégia simples é procurar a gravação completa da propaganda e comparar a informação com fontes oficiais ou veículos jornalísticos confiáveis. O TSE criou uma área específica para a propaganda eleitoral gratuita das Eleições 2026, reunindo informações sobre a veiculação e os materiais relacionados à disputa presidencial. (Justiça Eleitoral)
A atenção também precisa chegar aos conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial. As regras eleitorais de 2026 já tratam especificamente do uso de conteúdos sintéticos com imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas, criando restrições adicionais em determinados períodos e exigindo cuidados de identificação. (Justiça Eleitoral) Isso torna ainda mais importante conferir a origem de vídeos que viralizarem em aplicativos de mensagem ou redes sociais durante a campanha. Para o eleitor, a melhor defesa não é deixar de acompanhar a disputa, mas ampliar o número de fontes consultadas e verificar se uma informação realmente foi publicada pelo candidato, pelo partido ou pela Justiça Eleitoral.
O início do horário eleitoral nesta sexta-feira marca uma virada importante nas Eleições 2026. Pela televisão e pelo rádio, os candidatos passarão a disputar diariamente a atenção do eleitor até 1º de outubro, com tempos diferentes e regras definidas antecipadamente pelo TSE. (Justiça Eleitoral) Para o cidadão, acompanhar a propaganda pode ser útil para conhecer propostas e comparar discursos, mas o conteúdo não deve ser consumido de forma isolada. A combinação entre programas eleitorais, debates, informações oficiais e jornalismo profissional oferece uma visão muito mais completa da disputa. Nesta reta inicial, a principal vigilância deve estar justamente nos conteúdos que prometem respostas fáceis, números sem fonte ou vídeos aparentemente chocantes. Em uma eleição marcada por forte disputa digital, informar-se bem será tão importante quanto comparecer às urnas.

