Convenção nacional aprovou por unanimidade a aliança com o PT; calendário de convenções partidárias segue até agosto.
Faltando meses para a eleição, o primeiro sinal concreto de como vai se formar o tabuleiro político de 2026 já apareceu. Nesta segunda-feira (20), o PDT realizou sua convenção nacional em Brasília e aprovou, por unanimidade, o apoio à pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. A decisão levanta uma questão natural para quem acompanha o cenário eleitoral: o que essa antecipação significa para o restante do calendário partidário e para as alianças que ainda serão definidas até o registro oficial das candidaturas.
Como foi a convenção e o discurso de Lula
O evento contou com a presença do próprio presidente, que discursou aos filiados na etapa final do encontro. Segundo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, a aliança com o PT não foi construída em torno de cargos ou espaços no futuro governo, mas representa a coerência histórica do partido nas últimas décadas. Lupi destacou que essa é a primeira vez, desde 1989, que o PDT anuncia oficialmente esse apoio logo na primeira convenção do calendário eleitoral.
Durante o discurso, Lula reforçou que a campanha vai priorizar a defesa da soberania nacional e da democracia brasileira, associando o avanço da extrema direita ao desmonte de políticas públicas e a tentativas de subordinar o país a interesses estrangeiros. O presidente também recordou os Centros Integrados de Educação Pública, criados por Leonel Brizola, como parte do legado que aproxima historicamente o PDT do campo que hoje apoia sua candidatura. A convenção também elegeu por unanimidade o novo Diretório Nacional do partido, com Juliana Brizola, candidata ao governo do Rio Grande do Sul, na vice-presidência da legenda.
O histórico da aliança e a saída de Ciro Gomes
A relação entre PDT e PT tem uma trajetória de idas e vindas. Em 1989, Brizola apoiou Lula no segundo turno contra Fernando Collor, e em 1998 foi seu vice na chapa presidencial. O partido também esteve ao lado de Lula em 2002 e novamente no segundo turno de 2022. Já em 2018, o PDT lançou candidatura própria com Ciro Gomes, que voltou a concorrer pela legenda em 2022 antes de se desfiliar em 2025 e migrar para o PSDB, o que ajuda a explicar por que, desta vez, o partido optou por apoiar diretamente a candidatura de Lula em vez de lançar nome próprio.
Essa mudança de estratégia reflete também o momento político vivido pelo campo de esquerda e centro-esquerda, que tem priorizado a união em torno de candidaturas com maior competitividade diante do crescimento da direita e da extrema direita no país. A ausência de um candidato próprio do PDT nesta eleição consolida esse movimento de concentração de forças em torno da reeleição de Lula.
O que vem pela frente no calendário eleitoral
O período de convenções partidárias começou nesta segunda-feira e vai até 5 de agosto, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral. Depois desse prazo, os partidos precisam registrar oficialmente suas candidaturas na Justiça Eleitoral, com data limite em 15 de agosto. A próxima convenção de peso está marcada para este sábado (25), quando o Partido Liberal deve oficializar Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência.
Já a convenção do PT, partido de Lula, só deve ocorrer em 2 de agosto, na mesma data em que o PSB confirma a candidatura de Geraldo Alckmin como vice na chapa. Até lá, Lula segue formalmente na condição de pré-candidato, ainda que o apoio do PDT já sinalize o formato da coligação que deve sustentar sua campanha nos próximos meses. O anúncio antecipado do PDT deve funcionar como um termômetro para observar como outras legendas de esquerda e centro se posicionarão nas próximas semanas.
Fontes: Agência Brasil | Senado Notícias | Sul21

