Conforme Marcello Jose Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, o saneamento básico no Brasil não é apenas uma questão de infraestrutura, mas de escolhas políticas, tecnológicas e sociais que determinam a qualidade de vida de milhões de pessoas. O tema ganhou visibilidade crescente nos últimos anos, impulsionado pelo novo marco legal do saneamento e pela urgência de universalizar serviços que ainda estão longe de alcançar toda a população brasileira. Compreender esse campo é essencial para quem deseja entender como o Brasil pode avançar rumo a um modelo mais eficiente, equitativo e sustentável de gestão ambiental e urbana.
Ao longo deste artigo, serão explorados os conceitos fundamentais do saneamento básico, os principais gargalos que travam seu avanço no país e as inovações e tecnologias que já estão transformando esse setor de forma concreta e promissora. Confira a seguir para saber mais!
O que é saneamento básico e por que ele vai além do esgoto?
O conceito de saneamento básico é frequentemente reduzido ao tratamento de esgoto, mas sua abrangência é consideravelmente maior. Segundo a legislação brasileira, o saneamento básico engloba quatro eixos fundamentais: o abastecimento de água potável, o esgotamento sanitário, a limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos, e a drenagem e o manejo de águas pluviais urbanas. Cada um desses eixos representa um sistema interdependente, de modo que a falha em qualquer um deles compromete a eficácia dos demais e gera impactos diretos sobre a saúde pública, o meio ambiente e a economia local.
Essa visão integrada é fundamental para compreender por que o saneamento básico precisa ser tratado como política de Estado e não como conjunto de obras isoladas. Marcello Jose Abbud reforça que, enquanto o debate público se concentra predominantemente no esgoto, o manejo inadequado de resíduos sólidos continua gerando contaminação de solos e corpos d’água em escala preocupante, especialmente em municípios que ainda não dispõem de sistemas adequados de coleta, tratamento e destinação final.
Quais são os principais gargalos do saneamento básico no Brasil hoje?
O Brasil avançou de forma significativa nas últimas décadas no acesso à água tratada, mas os indicadores de esgotamento sanitário e manejo de resíduos sólidos ainda revelam um déficit expressivo, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste e nos municípios com menos de cinquenta mil habitantes. O novo marco legal do saneamento, aprovado em 2020, estabeleceu metas ambiciosas de universalização até 2033, criando um ambiente regulatório mais favorável à atração de investimentos privados e à ampliação da cobertura dos serviços. Marcello Jose Abbud alude, porém, que a distância entre a meta e a realidade ainda é longa e exige esforço coordenado entre União, estados, municípios e setor privado.

Como as novas tecnologias estão transformando o tratamento de resíduos?
É nesse contexto de déficit estrutural que as inovações e tecnologias no saneamento básico ganham protagonismo como vetor de mudança real. Algumas empresas representam um exemplo concreto dessa transformação ao operar com tecnologia de decomposição termomagnética, desenvolvida originalmente no Japão e adaptada para a realidade brasileira, que permite tratar resíduos sólidos urbanos, industriais e de saúde com redução de até 97% da massa original, sem geração de chama de combustão e sem contaminação do solo, da água ou do ar. Essa capacidade de processar resíduos com alto grau de eficiência e baixo impacto ambiental representa um salto qualitativo em relação aos métodos tradicionais de destinação, como os aterros sanitários, que demandam grandes áreas e geram passivos ambientais de longo prazo.
Além da decomposição termomagnética, outras frentes tecnológicas estão avançando no campo do saneamento básico, como os sistemas de monitoramento remoto de redes de água e esgoto, as soluções de biogás a partir de resíduos orgânicos e os processos de compostagem industrial em larga escala.
Marcello Jose Abbud explica que trata-se de uma mudança de paradigma que posiciona o saneamento não como despesa, mas como investimento estratégico com retorno ambiental, social e econômico mensurável.
O que esperar do futuro do saneamento básico com a inovação em campo?
O horizonte do saneamento básico brasileiro é, ao mesmo tempo, desafiador e repleto de possibilidades concretas. Com o marco regulatório estabelecido, os investimentos em expansão e a tecnologia disponível para transformar a forma como os resíduos são tratados, o país reúne condições objetivas para dar um salto significativo na universalização dos serviços ao longo desta década. O que determinará a velocidade desse avanço é a capacidade de integrar esses elementos em projetos estruturados, com governança clara, financiamento adequado e parceiros técnicos com experiência comprovada no campo ambiental.
Marcello Jose Abbud conclui que o futuro do saneamento básico no Brasil será construído na interseção entre política pública, inovação tecnológica e engajamento da sociedade, três forças que, quando alinhadas, são capazes de transformar realidades que hoje parecem distantes em resultados palpáveis e duradouros. As novas tecnologias para tratamento de resíduos sólidos já estão em operação e entregando resultados verificáveis. O próximo passo é garantir que elas cheguem a todos os municípios que precisam delas, com o suporte institucional e o financiamento necessários para que o Brasil finalmente consolide um sistema de saneamento básico à altura de seu potencial e de suas obrigações com as gerações futuras.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

