Fiagro e CRA: como o mercado de capitais está ampliando as opções de financiamento no agronegócio

Por Diego Rodríguez Velázquez 7 Min de leitura
Parajara Moraes Alves Junior

CEO da Junior Contabilidade & Assessoria Rural, Parajara Moraes Alves Junior, retrata que o financiamento sempre foi um dos pilares para o crescimento da atividade rural, mas depender exclusivamente das linhas tradicionais de crédito nem sempre atende às necessidades de expansão e modernização das propriedades. Nos últimos anos, o mercado de capitais passou a oferecer alternativas específicas para o agronegócio, aproximando investidores e produtores por meio de instrumentos financeiros capazes de ampliar o acesso a recursos.

Entre essas modalidades, o Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, conhecido como Fiagro, e o Certificado de Recebíveis do Agronegócio, ou CRA, vêm ganhando relevância dentro do setor. Ao longo deste artigo, você entenderá como esses instrumentos funcionam, quais são seus principais benefícios, os cuidados necessários para utilizá-los e por que eles podem representar uma estratégia importante para diversificar as fontes de financiamento da propriedade rural.

Como o Fiagro aproxima o mercado financeiro do agronegócio?

O Fiagro foi criado para direcionar recursos de investidores ao financiamento das cadeias produtivas do agronegócio. Na prática, trata-se de um fundo de investimento que aplica seu patrimônio em ativos relacionados ao setor, como participações em empresas, imóveis rurais e direitos creditórios originados de operações agrícolas. Essa estrutura amplia as possibilidades de captação para produtores e empresas que buscam alternativas além do crédito bancário convencional.

Segundo a avaliação de Parajara Moraes Alves Junior, consultor em planejamento tributário, sucessório e patrimonial rural, muitos produtores ainda enxergam o mercado de capitais como uma realidade restrita às grandes empresas. Entretanto, esse cenário vem mudando gradualmente, permitindo que propriedades de médio porte também tenham acesso a investidores interessados em financiar projetos sólidos e bem estruturados.

Esse movimento, contudo, exige um nível maior de organização. Diferentemente das operações tradicionais de crédito rural, investidores institucionais costumam analisar detalhadamente a situação financeira da propriedade, a qualidade das informações contábeis e a capacidade de gestão do empreendimento. Dessa forma, a profissionalização da administração rural passa a ser um requisito importante para quem pretende acessar esse tipo de financiamento.

De que forma o CRA pode ampliar as alternativas de captação?

O Certificado de Recebíveis do Agronegócio é um título de renda fixa emitido com base em recebíveis originados de operações do setor. Em termos práticos, esse instrumento permite antecipar recursos financeiros utilizando direitos creditórios futuros, como valores que serão recebidos pela comercialização da produção agrícola ou pecuária.

Na visão de Parajara Moraes Alves Junior, essa modalidade pode apresentar condições financeiras competitivas, principalmente em operações de maior porte, nas quais os custos de estruturação são compensados pelo volume dos recursos captados. Ainda assim, sua utilização requer planejamento, já que envolve uma estrutura técnica e jurídica mais sofisticada do que outras modalidades de financiamento.

Parajara Moraes Alves Junior
Parajara Moraes Alves Junior

Por essa razão, a emissão de CRA normalmente conta com a participação de instituições especializadas em securitização, responsáveis por estruturar toda a operação. Antes de optar por esse caminho, é fundamental avaliar se o tamanho da operação e os objetivos financeiros da propriedade justificam o investimento necessário para viabilizar esse modelo de captação.

Quais vantagens tributárias e estruturais esses instrumentos oferecem?

Além de ampliarem as possibilidades de acesso ao capital, Fiagro e CRA também contam com características tributárias que favorecem sua atratividade no mercado financeiro. Em determinadas condições previstas na legislação, investidores pessoas físicas podem usufruir de isenção do Imposto de Renda sobre os rendimentos desses ativos, fator que aumenta o interesse por esse tipo de investimento e fortalece a disponibilidade de recursos destinados ao agronegócio.

Conforme explica Parajara Moraes Alves Junior, essa vantagem concedida ao investidor acaba refletindo diretamente nas condições oferecidas aos produtores e empresas que buscam financiamento por meio dessas estruturas. Quanto maior o interesse do mercado por esses ativos, maiores tendem a ser as oportunidades de obtenção de recursos em condições competitivas.

No entanto, aproveitar esse cenário exige uma análise criteriosa das alternativas disponíveis. Comparar custos, prazos, exigências e impactos financeiros permite identificar quando esses instrumentos realmente representam uma opção mais vantajosa do que as linhas tradicionais de crédito rural. Nesse contexto, o acompanhamento técnico especializado contribui para decisões mais alinhadas aos objetivos financeiros da propriedade.

Como preparar a propriedade para acessar o mercado de capitais?

O ingresso no mercado de capitais depende menos do porte da propriedade e mais do nível de organização da gestão. Demonstrativos financeiros consistentes, controles contábeis atualizados e processos de governança bem estruturados são fatores que aumentam a credibilidade perante investidores e instituições responsáveis pela estruturação dessas operações.

As propriedades que investem na profissionalização da gestão constroem um histórico capaz de transmitir maior segurança ao mercado. Em contrapartida, informações financeiras dispersas ou pouco organizadas dificultam a análise de risco e reduzem as possibilidades de acesso a essas modalidades de financiamento, mesmo quando a atividade apresenta bons resultados produtivos.

Por esse motivo, Fiagro e CRA devem ser compreendidos como instrumentos complementares dentro do planejamento financeiro rural, e não como substitutos integrais das linhas tradicionais de crédito. A combinação de diferentes fontes de recursos fortalece a capacidade de investimento da propriedade, reduz a dependência de um único modelo de financiamento e amplia a flexibilidade para enfrentar diferentes cenários econômicos, ressalta Parajara Moraes Alves Junior. À medida que o mercado de capitais se aproxima do agronegócio, compreender essas alternativas deixa de ser um diferencial e passa a fazer parte de uma gestão cada vez mais estratégica, preparada para aproveitar novas oportunidades de crescimento.

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